Mulheres inspiradoras na Biblioteconomia (2018)

Mais um fim de ano nesse bloguinho meio parado. É tempo de mais uma lista de mulheres inspiradoras na área de Biblioteconomia. Esse ano fui a dois eventos estudantis e conheci muita mulher maravilhosa, só isso já faz essa lista ser imensa, mas pedi indicações pelo Facebook e tive muitas respostas. Logo, esse é um post colaborativo.  Muito obrigada a todos e todas que me ajudaram! Infelizmente não consegui colocar todas as indicações aqui porque essa lista demanda muito tempo e isso é artigo de luxo pra mim, nesse momento. Além disso, algumas mulheres indicadas já foram citadas na lista do ano passado. Confere lá! 

Retirada daqui.

Por ter muita gente bacana não vou fazer uma introdução muito longa, mas quero esclarecer algumas coisas bem rápido: primeiro, essa não é uma premiação oficial nem algo perto disso, o que me proponho aqui é divulgar um pouco do trabalho de mulheres que fazem coisas que eu entendo como estando em baixo do guarda chuva da Biblioteconomia; segundo, ano passado algumas pessoas disseram “falta muita gente” como uma crítica. Sim, faltaram pessoas e faltarão sempre, pois não conheço todas as mulheres que atuam na área e mesmo que conhecesse não conseguiria divulgar sem exceção; por fim, o ponto de partida ainda é o mesmo de quando comecei: ao pesquisar por nomes importantes na Biblioteconomia, a porcentagem de mulheres é baixa. Em uma área onde somos maioria, isso pra mim não é aceitável. Essa é minha contribuição para mudar esse cenário.  

Dito isso, deixo aqui breves biografias de mulheres inspiradoras, com as vidas repletas de experiências e luta por uma Biblioteconomia cada dia mais forte:

Alba Costa Maciel – Uma das autoras do livro “Bibliotecas como Organizações”, referência no estudo de bibliotecas pela perspectiva da Administração. Alba defende a visão do bibliotecário e bibliotecária como gestores, pensando as unidades de informação a partir de um olhar pragmático de planejamento estratégico e utilização de métodos gerenciais utilizados em empresas.

Ana Claudia Borges – Professora do curso de Biblitoconomia da UFES, Ana é doutora em Ciência da Informação e mestre em Políticas Sociais com ênfase em Políticas Públicas. Ela também é remadora desde 1991 e compete desde 2010. Além disso, participa do projeto de extensão InformAção e Cultura “com pesquisas relacionadas à gestão da informação para desenvolvimento de competências em informação.”

Ana Claudia Perpetuo de Oliveira – Professora da UFSC, doutora e mestre em Ciência da Informação, formada em Biblioteconomia e Educação Artística (música). Participa do projeto de pesquisa Bibliotecas públicas e exclusão social: o discurso ético-político dos bibliotecários em que busca analisar o discurso de bibliotecários e bibliotecárias com relação à exclusão social e qual o papel das bibliotecas na sociedade. É autora do livro É preciso estar atento: a ética no pensamento expresso dos líderes de bibliotecas comunitárias e uma das organizadoras do livro Práticas éticas em bibliotecas e servições de informação. Além de tudo isso, se apresenta tocando violão. 

Ana Cristina de Albuquerque – Professora nos cursos de Biblioteconomia e Arquivologia e coordenadora do programa de pós-graduação em Ciência da Informação na Universidade Estadual de Londrina. Tem como ênfase de seus estudos a representação de arquivos imagéticos e tem extensa produção sobre o tema. Participa dos grupos de pesquisa Documentos fotográficos: um estudo sobre o tratamento temático e descritivo em diferentes ambiências informacionais, Acervos Fotográficos e O uso de palavras chave em artigos de periódicos estrangeiros da área de Ciência da Informação: elemento de relevância para recuperação da informação. É uma das organizadoras do livro Recursos Audiovisuais: sua contemporaneidade na Organização e Representação da informação e do conhecimento.

Ana Lúcia Merege – Bibliotecária e curadora da Divisão de Manuscritos na Biblioteca Nacional, escritora, mediadora de leitura e pesquisadora. Pesquisa sobre mitologia e é autora de diversos livros de fantasia para os públicos infantil e juvenil.  No site da BN, Ana deixou uma mensagem: “valorizem a Educação, a Cultura e seus profissionais, porque matamos um leão por dia para manter abertas as portas que levam ao futuro”.

Ana Isabel Sousa – Licenciada em Biblioteconomia pela UNIRIO, Ana Isabel atua em projetos voltados à capacitação de auxiliares em biblioteca, como o projeto de extensão “Oficina de Biblio“. A conheci durante a V Semana de Biblio UFRJ e nessa ocasião ela falou um pouco sobre esse projeto que já capacitou pelo menos 55 pessoas por meio de aulas gratuitas. Também é especialista em Biblivre e tem experiência em desenvolvimentos de cursos EaD.

Ana Virgínia Pinheiro – Bibliotecária, chefe da Divisão e Curadora de Obras Raras da Biblioteca Nacional Brasileira. É também professora adjunta da Escola de Biblioteconomia da UNIRIO e pesquisadora na área de gestão de coleções bibliográficas especiais, raridade bibliográfica e Biblioteconomia de Livros Raros. Entre suas publicações ao longo da carreira estão os livros “Que é livro raro?: uma metodologia para o estabelecimento de critérios de raridade bibliográfica” e a A ordem dos livros na biblioteca. Ana Virgínia é bastante conhecida na área, participa de muitos eventos e já chegou a dar entrevista para um jornal.

Andreza Reis – Bibliotecária no sistema Firjan, youtuber, blogueira e presença forte no LinkedIn. Andreza utiliza as redes sociais digitais para divulgar a profissão e suas ações, que são voltadas para a inovação e comunicação dentro da biblioteca escolar.

Angélica Eichner – Bibliotecária, atualmente roda todo o estado do Rio com o caminhão do SESC Itinerante. Já foi coordenadora de Biblioteca, Políticas do Livro e Leitura na Biblioteca Municipal Governador Leonel de Moura Brizola e conselheira suplente no Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Duque de Caxias. Pesquisadora sobre políticas públicas para mulheres e estudos sobre questões de gênero.  Atua também como produtora cultural.

Camila Belo – Supervisora do Sistema Integrado de Bibliotecas do INCA, atua na Biblioteca Virtual Prevenção e Controle do Câncer e colabora no Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (NATS/INCA). Também desenvolve atividades ligadas às bases de dados científicas, gestão da informação em saúde, diretrizes clínicas baseada em evidências e revisão sistemática.  Participa do grupo de pesquisa “Gestão da informação e busca de evidências das diretrizes diagnósticas do mesotelioma maligno de pleura” e, junto com outras autoras, publicou Diretrizes metodológicas: elaboração de diretrizes clínicasInformação dos registros hospitalares de câncer como estratégia de transformação: perfil do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva em 25 anos.

Catia Lindemann – Ativista de Biblioteconomia Social, presidente da Comissão Brasileira De Bibliotecas Prisionais CBBP, Diretora Regional Sul na FEBAB. Mantém, desde 2015, o blog Biblioteconomia Social e também tem um canal no Youtube onde fala sobre o tema.  

Cládice Diniz – Engenheira Naval, doutora em Ciência da Informação e também professora no curso de Biblioteconomia da UNIRIO. Realiza pesquisas direcionadas à acessibilidade e inclusão em bibliotecas e soluções agroecológicas sustentáveis para os assentamentos de reforma agrária. Atualmente atua em diferentes projetos de pesquisa e comissões editoriais de periódicos científicos. Coordena, entre outros, o grupo de pesquisa “Perspectivas da biblioteca como organização criativa na otimização dos recursos de aprendizagem: da acessibilidade à fluência informacional” e o projeto de extensão “Mulheres inovadoras acontecendo na UNIRIO – MIAU”

Dandara Baçã – Bibliotecária no Ministério da saúde, ativista pelo movimento negro e questões de gênero e sexualidade, militante da coletiva interseccional LGBT, participante do projeto de extensão da Universidade de Brasília, “Corpolítica”.
Atuou no Departamento do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, da Secretaria de Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura como Coordenadora do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas. Atuou na Equipe para Implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra no Departamento de Apoio à Participativa e ao Controle Social (DAGEP/SGEP/MS). Atuou na Assessoria Parlamentar do Ministério da Saúde. Atua na Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde na Política Nacional de Promoção da Saúde. Possui um blog onde escreve contos. Publicou, junto a outros autores, o livro Bibliotecári@s negr@s: ação, pesquisa e atuação política
Biblioteconomia social: epistemologia transgressora para o Século XXI.

Daniele Spudeit – Bibliotecária e professora do curso de Biblioteconomia na 
UDESC. Mantém pesquisas voltadas para o empreendedorismo na área. Coordenadora do Portal EmpreendeBiblio, vice-presidente da ABECIN, coordena o Grupo de Bibliotecários da Área Escolar em Santa Catarina (GBAESC), coordenadora do projeto de extensão “
Práticas empreendedoras na área de gestão da informação”. Escreveu o livro Empreendedorismo na Biblioteconomia e organizou, junto com outros profissionais, 
Biblioteconomia social: epistemologia transgressora para o Século XXI e Formação e atuação política na Biblioteconomia.

Dolores Biruel – Bibliotecária que atua com foco em ações culturais. Foi gestora da Programação Cultural da Biblioteca Jayme Cortez, onde implementou o
Projeto Diálogos, que visava a conversa com artistas como Laerte, Luís Melodia e Jorge Mautner. Implantou e coordenou as Bibliotecas das Fábricas de Cultura, onde promoveu encontro com diversos autores, saraus, cineclubes e contação de histórias. Atuou em projetos escolares que utilizam o método de ensino da Escola da Ponte. Atualmente trabalha com consultoria em bibliotecas. Possui um site onde conta sua trajetória.

Edilenice Passos – Bibliotecária jurídica, aposentada do Senado Federal, especialista em organização e recuperação da informação jurídica e legislativa. Editora do periódico Cadernos de Informação Jurídica. Mantém o site Infolegis, onde reúne dados e informações judiciais e mantém um fórum de discussão para profissionais da área. Autora de vários livros sobre Biblioteconomia jurídica, entre eles A gênese do Texto da Constituição de 1988, finalista do prêmio Jabuti 2014, e Fontes de Informação para Pesquisa em Direito

Eline Isobel – Bibliotecária. Possui experiência na área de preservação e encadernação de documentos em suporte de papel e preservação de acervos bibliográficos. Pesquisa sobre organização e preservação de acervos fonográficos, fotográficos e filatelia (estudo sobre selos postais).

Erica Resende – Bibliotecária do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFRJ, professora do Programa de Estudos Culturais e Sociais (PECS) da Universidade Cândido Mendes e, como ela faz questão de dizer sempre, mãe da Duda e da Manu. Atua na área da educação, promovendo ações de competência em informação e aprendizado na correta utilização de recursos informacionais em salas de aula e na biblioteca.  É coautora do livro Metodologia para Trabalhos Acadêmicos e Normas de Apresentação Gráfica.

Franciele Garcês – Bibliotecária que combate o racismo. Mestranda em Ciência da Informação. Idealizadora do UmanuS, negócio social que auxilia pessoas que desejam ingressar na pós graduação. Gerencia a página Quilombo Intelectual, onde são divulgadas informações produzidas ou que falem sobre a temática negra, LGBTQI+, minorias sociais e direitos humanos. É membro da gestão 2018-2020 ACB. Publicou, junto a outros autores, o livro Bibliotecári@s negr@s: ação, pesquisa e atuação política e organizou,com Nathalia Romeiro, O Protagonismo da Mulher na Biblioteconomia e Ciência da Informação.

Francilene Cardoso – Professora na Universidade Federal do Maranhão, bibliotecária da Rede Leitora Terra das Palmeiras. Ativista negra. Atua em projetos voltados para o fortalecimento de bibliotecas públicas e comunitárias. Pesquisadora de Feminismos Negros, Politicas Públicas e Políticas Afirmativas. Contribui com a Rede de Bibliotecas Comunitárias de São Luís. Integra os projetos de pesquisa Repositório Digital da Produção Literária de Autores Maranhenses para o Público Infantil e JuvenilMulheres, Relações de gênero e protagonismo político: estudo, formação feminista e informação como estratégica de mudança na sociedade patriarcal. Autora do livro O negro na Biblioteca: mediação da Informação para construção da identidade negra

Gabriela Santos – Estudante de Biblioteconomia na UFRJ, tecnológa em produção audiovisual e produção cultural. Militante negra. Faz parte do Coletivo Negro Dandara dos Palmares e é extensionista no projeto “Identidades Abertas”. Pesquisa memória e resistência social, fluxos informacionais da colonialidade e mediação de leitura. 

Gisele Lima – Bibliotecária, pesquisadora e técnica profissional em geração multimídia. Assistente de pesquisa do Centro de Estudos em Consumo (COPPEAD-UFRJ). Realiza pesquisas em mediação de leitura, mediação da informação, formação de leitores, competência em informação, competência em mídia e informação, práticas informacionais, estudos étnico-raciais na Biblioteconomia e Biblioteconomia social. Dialoga sobre identidade da mulher negra e transição capilar.

Juliana de Assis – Coordenadora do curso de graduação em Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da UFRJ, membro da International Network for Social Network Analysis, membro da comissão editorial dos periódicos Bibliotecas Universitárias: Pesquisas, experiências e perspectivasTransinformaçãoConhecimento em AçãoRevista Brasileira de Educação em Ciência da Informação e Bibliomar.

Luciana Grings –  Coordenadora de Serviços Bibliográficos da Fundação Biblioteca Nacional, responsável pelas áreas de Depósito Legal, Intercâmbio e processamento técnico. Atualmente é membro do Comitê Permanente da IFLA-LAC e coordenadora do Comitê Técnico de Avaliação de Projetos da Associação de Estados Ibero-americanos para o desenvolvimento das Bibliotecas Nacionais de Ibero-América (Abinia).

Marielle Moraes – Professora do Departamento de Ciência da Informação da UFF. Líder do Grupo de Pesquisa Informação, Mediação, Educação e Responsabilidade Social. Autora, junto com Daniele Spudeit, do livro Biblioteconomia social: epistemologia transgressora para o Século XXI.

Nathalia Romeiro – Licenciada em Biblioteconomia pela UNIRIO, mestranda em Ciência da Informação. É organizadora, junto com Franciéle Garcês, do livro O Protagonismo da Mulher na Biblioteconomia e Ciência da Informação. Vice presidente do Fórum de inovação e Empreendedorismo na Biblioteconomia. Participa dos grupos de pesquisa: Estudos Críticos em Informação, Tecnologia e Organização Social, Perspectivas Filosóficas em Informação (no projeto INFOGEND que articula investigações sobre igualdade de gênero, direito da mulher e acesso à informação, cadastrado na plataforma UNA da ONU Mulheres), Ecce Liber: filosofia, linguagem e organização dos saberes e Satélite em Organização Ordinária dos Saberes Socialmente Oprimidos.

Patricia Mallmann – Professora do curso de Biblioteconomia da UFRJ, coordenadora do projeto de extensão Biblioteca Comunitária na Vila Residencial da UFRJ. Dialoga sobre normalização documentária, bibliotecas comunitárias, mediação de leitura e questões de gênero. É membro do corpo editorial dos periódicos Conhecimento em AçãoEm Questão. Participa dos grupos de pesquisa Diferenças de gênero na opção por ciência e tecnologia: permanências e mudanças na escola básicaEstudo de comunidade da Vila Residencial da UFRJ.

Renata Costa – Coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas do Rio de Janeiro (SEB/RJ), por meio da Superintendência da Leitura e do Conhecimento e da Secretaria de Estado de Cultura. Integrante de comissões de avaliação nos editais de Difusão e Intercâmbios Culturais. Coordenadora e mediadora do grupo de Coalizão para o Plano de Sustentabilidade em Bibliotecas da ONG Recode.

Tatyanne Valdez – Bibliotecária na biblioteca escolar do Colégio de Aplicação da UFRJ, contadora de histórias, integrante do Grupo de Pesquisas em Bibliotecas Públicas. Possui um blog chamado Diário da biblioteca escolar, mantém a página Taty Valdez conta histórias e compartilha leituras no perfil @lendocomnicolas.

Retirada daqui.

Obrigada a todas vocês, que são realmente fontes de inspiração pra mim.

Força para 2019! Vale, valeu. Tchau!

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A educação visual como direito

Pensa comigo: as pessoas se comunicam por imagens o tempo inteiro. Memes, correntes de Whatzapp, GIFS, Emojis, séries no Netflix, Mural do Facebook, Notícias de jornal em formato de vídeo, canais do Youtube, Instagram, a prova do ENEM, propagandas, televisão, mensagem de bom dia no grupo da família. Tudo isso envolve linguagem imagética. A comunicação utilizando esse suporte é constante e massiva em quase todos os âmbitos. Logo, se está por toda parte, é um fenômeno social, constitui cultura. Então, se vivemos hoje a chamada “sociedade da informação”, onde o acesso à informação é um direito humano, e a linguagem imagética está fortemente inserida em nossa forma de transmitir e receber informações, a educação visual também é necessária para que sigamos mantendo uma organização minimamente democrática e sigamos tentando minimizar as diferenças sociais. Falei besteira? Me diz nos comentários.

Retirado daqui.

Esse artigo da Times diz que, de acordo com uma pesquisa encomendada pela plataforma de GIFS Tenor, 36% dos millennials entre 18 e 34 anos utiliza imagens como emojis, GIFS e stickers para se expressar, e afirmam que essas imagens comunicam seus pensamentos e emoções melhor que as palavras.

Retirado daqui.

A utilização de imagens como forma de comunicação já existe há muito tempo, basta ver as pinturas rupestres, mas a internet fez crescer exponencialmente essa capacidade. Atribuo isso à facilidade de compartilhamento e à rapidez com que é possível assimilar seu conteúdo. Ou supor seu conteúdo: quem não viu a foto da mamadeira com bico de pênis supostamente distribuída em creches públicas? Quem não viu imagem do “kit gay” divulgada erroneamente como material distribuído em escolas? A imagem do menino negro, morador de rua, ignorado durante o Réveillon? E notícias tendenciosas utilizando imagens antigas ou descontextualizadas?

Nas eleições desse ano (principalmente para a disputa presidencial) a utilização de imagens foi bastante presente e teve sua parcela de participação nos resultados. Utilizar imagens para informar corretamente, manipular ou transmitir informações falsas é algo comum, mas também perigoso, porque o fato de estarmos imersos em uma cultura imagética, não significa que somos capazes de produzir, visualizar e usar criticamente o conteúdo visual.

Retirado daqui.

Chego então, ao conceito de visual literacy (em português já vi como inteligência visual, competência visual ou educação visual). De acordo com a Association of College & Research Libraries

Visual literacy é um conjunto de habilidades que capacitam um individuo a efetivamente encontrar, interpretar, avaliar, usar e criar imagens e mídia visual. Habilidades de Visual literacy capacitam o aluno a entender e analisar os componentes contextuais, culturais, éticos, estéticos, intelectuais e técnicos envolvidos na produção e uso de materiais visuais.  Um indivíduo inteligente visualmente é, ao mesmo tempo, um consumidor crítico de conteúdo visual e contribuidor competente para
um corpo de conhecimento e cultura compartilhados.

(tradução minha, a versão original esta aqui.)
Elementos da Visual Literacy. Imagem do livro “Visual Literacy for Libraries“, baseada no documento Visual Literacy Standards da ACRL.

Nesse vídeo, Brian Kennedy, do Toledo Museum of Art, explica um pouco mais:

Você viu relação com competência em informação, sim ou com certeza? Imagens são utilizadas para a transmissão de informação (já repeti isso mais de uma vez, eu sei), mas, continuando com as definições da ACRL, “imagens são também objetos estéticos e criativos que requerem níveis adicionais de interpretação e análise”. E aqui, acrescento meu entendimento: Visual Literay é uma ramificação da competência em informação (vou ser apedrejada pelos acadêmicos, afinal sou ninguém) e não uma área antagônica.

Seguindo, pensar em educação visual é pensar em como auxiliar para que indivíduos sejam capazes de contribuir e consumir ética e criticamente na “sociedade da informação”. Nesse caminho, é também hoje, inevitavelmente, pensar sobre o privilégio do acesso à internet em um país onde 39% dos domicílios não possui. E pensar, por fim, qual é nosso papel, enquanto bibliotecários e bibliotecárias, nesse complexo quebra-cabeça.

A educação visual é um direito, quando pensamos nela como algo capaz de desenvolver habilidades para o consumo diário da informação corrente, mas também como uma possibilidade de acesso à arte. A arte que por muitas vezes parece abstrata e, por isso, se torna inacessível à maior parte da população, mesmo tendo centros culturais gratuitos pela cidade, por exemplo. E acessar à arte faz parte do processo de construção de identidades (individuais e coletivas) e democratização do conhecimento. Popularizar esse acesso e o entendimento é fundamental para a minimização de diferenças sociais e do afastamento de discursos. A comunicação por imagens é real e como podemos trabalhar com isso?

Alguns materiais que podem ajudar:

E ai, vamos conversar?

TEDx UFRJ

No dia 4 de junho desse ano aconteceu a terceira edição do Tedx UFRJ e para minha surpresa e felicidade, o evento contou com a participação de duas professoras do curso de Biblioteconomia. 🙂 Já faz algum tempo, mas quero deixar aqui registrado para divulgar o máximo possível.

O Tedx questionou “Como (re)construir a universidade?” e essa foi a pergunta que permeou todas as falas. Foi lindo! ❤

A primeira fala foi da professora Marianna Zattar, que marca presença em muito, muito eventos na missão de debater sobre competência em informação e desinformação. Marianna propõe a reconstrução da universidade a partir de uma perspectiva de autocrítica e autorresponsabilidade em nossa relação com a informação. Ela esclareceu os conceitos de desinformation malinformation, fake news e as características que contribuem para a disseminação excessiva desse tipo de conteúdo, esclarecendo que a internet, embora seja o principal veículo, não é a culpada.

A internet, a web, as mídias sociais que nós usamos propiciam o uso, o compartilhamento e a criação de informação. Informação verdadeira ou informação falsa ou qualquer outro tipo de informação.

Olha isso:

A segunda professora foi a Lucia Fidalgo, que sempre fala de forma lúdica sobre leitura e histórias. Contou a história de como seus pais deram seu nome e, a partir disso, propôs a escuta e empatia nas relações dentro de sala de aula e bibliotecas. Lúcia foi categórica ao dizer “É preciso descobrir o valor da leitura” e sugeriu a reconstrução da universidade a partir da sensibilização nas relações e firmeza nas soluções dos problemas dentro da universidade. Ela apresentou algumas soluções sugeridas por alguns de seus alunos.

Algumas pessoas falam pra mim: mas como eu faço pra formar um leitor? E eu respondo: começa a conversar. Descobre o que ele gosta. Porque entre um mediador de leitura e seus leitores precisa haver diálogo.

Aperta o play:

Sigamos! 

Até a próxima. Tchau!